Daniella havia saído novamente, com o propósito de fazer o seu hobby. Caçar borboletas.
Não era daquelas pessoas más, colecionadoras de borboletas, fazia isso para se divertir. Gostava das borboletas, ficava com a alma limpa perto delas.
Pegou o seu carro, e foi em direção ao campo que havia perto de sua casa. Lá era lindo, calmo, uma paz incomum. Ela gostava das borboletas por isso, pela calma delas, a cor harmoniosa, a singelidade delas, a pureza. Borboletas eram criaturas fascinantes.
Saiu de seu carro, já com o equipamento necessário a mão. Pegou uma toalha, estendeu - a ao chão, colocou a rede, e um livro que estava lendo. Seu lanche também estava lá, pois nesse sábado, pretendia passar a tarde toda no campo com as borboletas.
Também pegou seu ipod, e o colocou em cima dos livros. Deitou - se lá, apenas por um momento, e ficou a observar aquelas lindas criaturas que habitavam o mais belo que já havia visto.
Já eram três horas da tarde, e ela já havia se 'divertido' com as borboletas. Estava agora, lendo o seu livro e tomando de seu suco.
No ipod tocava a música Butterfly do Jason Mraz. Sim, a garota de olhos de um incrível verde e cabelos marrons, tinha uma fascinação por borboletas.
Ouviu um barulho de carro, e se virou para onde o seu estava estacionado. Um novo carro aparecerá no local, e um homem muito bonito saiu de lá.
Tinha os cabelos lisos e negros, olhos azuis, um azul incrivelmente lindos. Usava uma calça jeans, e uma blusa azul, que realçava seus olhos. Tinha uma pasta um tanto grande nas mãos, e ainda não tinha percebido a presença de Daniella.
A morena se apressou em levantar, e recolher suas coisas que estavam espalhadas pela grama verde.
O homem foi em direção ao campo, e percebeu a presença da moça que usava uma regata branca e um shorts verde. Estava descalça e seus cabelos presos em um coque mal feito.
O moço se distraiu, olhando a beleza da morena e tropeçou no que se parecia um recipiente. A mulher se espantou com o moço tropeçando a sua frente.
- Oh Meu Deus! Desculpe-me, não deveria ter deixado minhas coisas jogadas e... - a voz doce foi falando abruptamente, mas o moço a interrompeu.
- Não se desculpe! - a voz dele era máscula e rouca - Eu que não prestei atenção. Estava distraído... Prazer, Leonardo. - ele estendeu a mão com longos e grossos dedos para a moça que estava encabulada.
- D-Daniella. - disse ela corada.
- Bom Daniella, desculpe - me invadir seu espaço, quase quebrar o seu - Ele procurou onde havia tropeçado. Era um recipiente de plástico, onde ela levou seu lanche. - digo, a sua lancheira e atrapalhar sua leitura - Voltou seu olhar para o livro.
- Eu peço desculpas, eu quase te fiz cair... -Ela ia se desculpar novamente, mas ele a interrompeu.
- Já disse que eu estava distraído. - Disse ele mais sério agora. Havia ficado irritado com a contestação da bela moça a sua frente. - Não se preocupe.
- Tudo Bem. - disse ela se convencendo. O homem colocou sua pasta na grama verde, voltou do carro com uma toalha, estendeu - a ao chão, pegou sua pasta e começou a abri - lá, enquanto a morena o observava curiosa.
- Bom, espero que não se incomode. Eu vou ficar aqui pelo resto da tarde. Venho sempre aqui. Todos os sábados. - disse ele sorrindo, e tirando da pasta um computador portátil.
- Vem sempre aqui? - Ele assentiu a pergunta dela. - Bom, eu nunca te vejo. Deve ser porque provavelmente está tarde. Que horas são? - Ela perguntou educadamente, enquanto voltava a arrumar suas coisas, para voltar a leitura.
- São 16:43. - Disse ele se ajeitando na toalha.
- Bom, vou ficar aqui por mais um tempo lendo meu livro. Espero que não se incomode Leonardo. - Dizendo isso, ela procurou a página do livro.
- E espero que a senhorita Daniella, não se incomode, pois vou ficar aqui escrevendo meu livro. - Disse ele sorrindo. Ela parou.
- Escrevendo um livro?! UAU! Você escreve! - Ela exclamou fascinada por saber que o incrível, bonito, simpático e cavalheiro homem a sua frente também era um escritor.
- É, eu escrevo! - ele disse novamente, sorrindo - Vai ser meu primeiro livro, e eu espero que ele faça sucesso. Sempre venho aqui, pois além de se calmo e bonito, é daqui que vem a minha fonte de inspiração: As Borboletas! - Ele exclamou sorrindo a uma delas, que voava próximo. Ela era toda vermelha. Linda.
- Que coincidência. Eu sempre venho aqui por causa das borboletas. Elas são lindas. E logo depois, aproveito para fazer algo, já que o lugar é tão calmo. - Ela sorriu. - Oh, me desculpe. Estou atrapalhando. - Ela disse corando.
- Não tem problemas. De novo. Eu comecei a conversa.
- Tudo bem, mas então, vamos voltar a fazer nossas respectivas atividades. - Disse ela voltando atenção ao livro. Ele assentiu.
Leonardo achará aquela garota fantástica. Não conhecia nenhuma garota que perdia seu tempo com borboletas. Só pensavam no cabelo, na roupa e na maquiagem. Não apreciavam a natureza, o que a de bom nela, e nunca tocavam em um livro. Se fosse algum, com certeza seria o manual de como aplicar o novo batom para deixar um efeito para sedução, ou uma revista.
Ela não. Ele achou Daniella diferente. Além de ter uma beleza natural, não estar usando maquiagem, estava lendo e gostava das borboletas. O motivo de estar escrevendo seu livro.
Passaram horas, o céu já havia escurecido, mas nenhum dos dois perceberá nada.
O celular de Daniella começou a tocar, e ela teve que deixar a última página do livro que estava lendo para ver o que era. Era uma mensagem. Respondeu a mensagem, olhou para o céu ficando surpresa.
- Oh Meu Deus! Já está tão tarde assim?! - Exclamou.
- É, está sim. Já são 21h16min. - Disse o moreno colocando seu computador portátil na pasta. - Bom, eu tenho que ir. - ele se levantou recolhendo a toalha de qualquer geito.
- Bom, eu também estou indo. Além de estar tarde, é perigoso ficar aqui sozinha. - Disse pegando seus livros e redes primeiro, e levando para o carro. Voltou, pegou sua toalha e o recipiente com o lanche e levou até o carro.
- Tchau! - acenou para o moço que só estava encostado no carro dele. Ele acenou. Ela entrou no carro, pegou a chave, a colocou com certa dificuldade no local, girou e nada aconteceu. Girou novamente e nada.
- Ai, que irônico não! - Exclamou para si mesma, levando as mãos ao ar. - Eu, sozinha, em um campo vazio, com o meu carro morto, sem comida e... - pegou o celular, com alguma esperança - Um celular sem bateria! - completou frustrada.
- Eu diria que você está certa sobre tudo, menos a parte da sozinha! - Disse Leandro, entrando em seu campo de visão.
- Oh, que sorte a minha! - Exclamou ela divertida. - O bom cavalheiro que me esperou, poderia fazer o favor de me emprestar o celular?
- Bom, madame, tenha o prazer de usa - lo. - E ele pegou o telefone celular e entregou pela janela, a mão pequena da garota. Essa ligou o celular - que estava desligado - e notou que o mesmo estava sem bateria.
- Ah, o destino está de brincadeira comigo. Sem bateria! - Entregou o celular para Leandro, que segurava um riso pela morena estar tão irritada.
- Acalme – se. Eu te dou uma carona até a sua casa, e de lá, você chama o guincho, ok? – perguntou Leandro sorrindo. Daniella sorriu junto e assentiu. Conhecerá o moço a poucas horas, mas podia dizer que ele era cavalheiro.
Ela saiu do carro, pegou seus pertences e levou para o carro de Leandro. Ele abriu a porta para ela, e está entrou.
- UAU, O seu carro é LINDO! – Exclamou fascinada a morena.
- Obrigada. – Disse Leandro já passando o cinto de segurança. Girou a chave. Nada. Novamente, e nada aconteceu.
- Só pode ser ironia do destino, não?! – Esbravejou indignada Daniella, que colocou as mãos ao rosto.
- Calma. – Disse Leandro já ficando preocupado. – Nós vamos pensar em algo.
- Tudo bem. – Daniella respirou fundo. – Calma. – Respirou fundo mais umas três vezes.
- Está bem? – Perguntou Leandro temeroso.
- NÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃOOOOO! MINHA VIDAA ACAABOOU, VAAMOOOOS MORREEER AQUIIIII! AAAAAAAHHH! – Começou a gritar e espernear. Leandro até poderia achar a cena engraçada se a garota não o estivesse estapeando - o. Ele tentava segurar seus pulsos, mas ela estava sendo ágil. Ele não sabia como faze - la parar. Pensou nas cenas de filmes e novelas, quando a garota estava desesperada, ou com raiva e começava a estapear o homem e ele a beijava, para faze – la parar.
Achava isso rude, mas não tinha outro jeito. Tinha que parar grudando seus lábios naqueles macios e convidativos.
Foi tudo muito rápido. Ele encostou seus lábios nos dela, e ela relutante, se entregou ao beijo, deixando seus braços caírem moles ao lado de seu corpo.
Leandro, mesmo depois de ter conseguido fazer ela parar de bater nele, não conseguia desgrudar seus lábios dos dela. Era uma sensação que nunca tinha sentido com nenhuma garota, uma sensação indescritível. Os lábios doces dela se movimentavam com perfeição sob os dele, e Daniella não poderia discordar, dizendo que não gostará.
Eles se separaram, lentamente. Os olhos deles brilhavam, e Daniella sorriu. Aquilo havia sido um calmante para o ataque dela.
- Um ótimo calmante. – Ela deu voz ao pensamento dela, ainda sorrindo.
- Eu também achei. – Ele disse, também sorrindo. – Quer repetir a dose? – Ele perguntou com uma leve ruga de preocupação na testa. Não foi preciso Daniella responder, ela o atacou com um beijo doce.
Ele pediu permissão com a língua, para aprofundar o beijo. Permissão que foi prontamente concebida. Os dois travavam uma luta de poder, a qual Leandro explorava a boca de Daniella com ferocidade. Ela retribuía também, dançando com a língua de Leandro.
Os beijos continuaram. Não se sabe como eles saíram daquele lugar, não se sabe como a vida deles continuaram, só se sabe que, Daniella e Leandro, nunca mais deixaram de visitar o campo das borboletas.



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