- MÃE, EU VOU PARA A CASO DO BRUNO! - Gritei para a minha mãe que estava no banho.- TÁ BOM BOM MENINA, MAS VÊ SÊ NUM DEMORA! -Gritou ela com a voz abafada pela grossa porta de madeira.
Ela sempre dizia para não demorar, mas era inevitável. Bruno era meu melhor amigo e amor, só que esse último ele não sabia.
Nos conhecemos a 4 anos e eu tenho uma paixão escondida por tal. Ele é perfeito. Loiro de olhos azuis, simpático, bonito, inteligente, elegante, divertido, ombro - amigo, bom, ele é perfeito. Sempre me ajuda quando preciso. Independente das ocasiões ele está lá. Comendo pipoca e assistindo Pânico comigo. Nas piores brigas ele está lá. Brigas com meu irmão, com meus pais, namorados. Ele está lá. Ele já chegou a dar bolo em namorada para cuidar de mim. Ele sempre tá la...
Cheguei a casa dele rapidamente, já que ela era a três quadras da minha. Eu nem tocava a campainha mais, pois como ele mesmo dizia: "Você já é da família! Só está me fazendo tirar a bunda do sofá!"
A casa estava vazia, mas eu reconheci o som da banda favorita dele tocando do andar de cima. Subi as escadas correndo, abrindo a porta e vendo ele jogando video - game.
- Você nunca vai passar do meu record. Não importa o quanto jogue! - Disse fazendo ele pular de susto e ser morto por um alienígena do jogo. Ri com isso enquanto ele fazia uma careta.
- Você destruiu a única chance deu ultrapassar você! - Ele disse vindo até mim e me dando um beijo na bochecha que me fez arrepiar. - Como tu tá? - Ele começou a descer as escadas.
- Bem. Como eu estava sem nada pra fazer vim te atormentar. - Dei de ombros como se aquilo fosse natural, mas não pude conter um sorriso quando ele se voltou incrédulo para mim.
- Você é um caso perdido! - Ele murmurou enquanto abria o armário e olhava as opções de pipoca de microondas - Queijo ou Manteiga? - Perguntou pra mim.
- Manteiga. - Eu abri a geladeira e vi os dois refrigerantes. - Cola ou Guaraná? - Perguntei a ele.
- Cola. - disse ele enquanto pegava os copos e eu pegava o chocolate no armário.
- Seus pais foram onde? - Perguntei pegando o balde para encher de pipoca quando a mesma ficasse pronta.
- Visitar meu irmão. - Disse ele com um tom de tédio. - Vermelho ou azul? - Perguntou ele pra mim sobre a cor dos copos de plástico.
- Azul. Por que você não foi? - Perguntei colocando a pipoca já pronta no balde e ele o refrigerante nos nossos copos.
- Não consigo mais. Tá muito difícil. - Ele parou se encostando na bancada. O irmão dele estava morando em um apartamento do outro lado da cidade pois não queria ficar mais perto do Bruno. - E eu nem sei o motivo. - Ele deu de ombros pegando o chocolate. - Vamos assistir Ilha do Medo! - Disse ele colocando os refrigerantes na mesinha de centro enquanto eu colocava a pipoca e os chocolate.
- Tudo bem! - Disse me deitando no sofá espaçoso. Ele vinha com uma coberta, se jogou em cima de mim e colocou ela por cima.
- Hum que sofá confortavel! - Disse ele sorrindo enquanto eu me debatia debaixo dele. Ele aspirou o ar profundamente. - E cheiroso! - Disse ele. Eu o empurrei para baixo e cai em cima dele.
- WOOOW! Que tapete é esse? Muito cheiroso, confortavel. Só pode ter sido feito a mão! - Exclamei enquanto ele saia de baixo de mim e me estendia a mão.
- O filme já vai começar loirinha! - Ele disse se sentando no sofá e eu me sentava ao seu lado. Apoiei minha cabeça em seu ombro e prestei atenção ao filme. Comíamos pipoca e mergulhávamos ela no chocolate.
- Leonardo DiCaprio forever! - Disse soltando um bocejo no final e Bruno dava risada.
- Michelle Williams forever! - Disse Bruno se levantando para levar as coisas para a cozinha. Dei risada.
- Deixa a Laura ouvir isso, em! - Disse em tom de brincadeira, mas ao mesmo tempo, triste. Laura era a atual namorada dele. Era uma menina legal, bonita. Ele a merecia como ela merecia ele.
- Bom, terminei com ela. Então tanto faz ela ouvir ou não! - Disse ele colocando as coisas na pia e dando uma risada sem humor.
- Porque terminou com ela? - Perguntei curiosa.
- Bom, ela era legal, mas eu to gostando de outra garota. Sério. - Disse ele olhando no fundo dos meus olhos. Meu mundo caiu. Sério? Bruno nunca fora de gostar sério de nenhuma garota, e o meu único fio de esperança se desmanchou ao ouvir isso. Mas ele nunca olharia para mim mesmo...
- Bom. - Disse tentando dar um sorriso. - Vamos assistir TV? - perguntei indo em direção a sala e me sentando no sofá. Peguei o controle remoto da mesa de centro, mas ele arrancará de minhas mãos.
- Hey! Eu vi primeiro! - Disse me levantando e ficando frente a frente com ele, mesmo esse sendo mais alto.
- Na-na-ni-na-não! - disse ele virando a cabeça de um lado para o outro em negativa. - Você vai querer colocar na Discovery Kids KKK, eu queria algo constrangedor pra Anita. Eu assisto Disc. Kids. POCOYOFOREVER! e eu realmente to cansado de Pocoyo! - Exclamou ele. Corei. Eu tinha 17 anos e assistia Pocoyo desde os meus 3 e pouquinho. Ele é tãããão lindo, (*--*)
- E você vai querer assistir Luta! - Disse finalmente arrancando o controle de sua mão e colocando no meu canal. Coloquei o controle remoto no sofá e sentei em cima dele. - Pronto. Agora como um menininho comportado, sente - se e não faça barulho ou o lanterninha vem aqui, ouviu? - Ele se sentou, cruzou os braços e ficou assistindo comigo a maratona de pocoyo. Estava tão animada com a musiquinha que esqueci do controle. Levantei e comecei a dançar, sendo que logo depois vi o canal sendo trocado por dois brutamontes batendo um ao outro. Suspirei pesadamente.
- Você vai querer guerra? - Vi ele assentir com um sorriso maroto nos lábios. Pulei em cima dele e comecei a lhe fazer cosquinhas - pois sabia que era seu ponto fraco - e ao avistar o controle, peguei ele, mudei de canal e comecei a correr pela sala, saltitando junto a musiquinha. Ele me olhou com um olhar penetrante, e veio atrás de mim. Dei um grito agudo e pus me a correr pelo corredor onde dava para a lavanderia da casa. Entrei no armário de vassouras onde eu estava segura dele. Eu sabia que ele iria atingir meu ponto fraco. Minha barriga. Eu sou muito sensível a essa parte, e se tocarem nela, eu começo a dar risadas. Incrível.
A porta não tinha tranca, então me encostei nela enquanto Bruno tentava a empurrar.
- Você não me escapa loirinha! - Gritou ele e eu dei risada. Passou um tempo e eu deixei de sentir a pressão na porta. Respirei fundo e parei de fazer forças, quando de repente, a porta se abre rapidamente e eu caio no chão durante o susto. Bruno, vassouras e esponjas caem no chão ao processo de invasão dele. Ele cai em cima de mim e se apóia com os braços ao meu redor. Nossas respirações estavam ofegantes, descompassadas.
- O controle remoto! - Disse ele ofegante. Vi uma gota de suor escorrer por sua face, em caminho do seu peitoral.
- M - E - O - B - R - I - G - U - E! - Sibilei para ele, também ofegante. Minha voz saiu quase um sussurro e eu podia dizer que estava até um pouco sexy.
Ele foi se aproximando, se aproximando, nossos narizes estavam a centímetros. Eu nem sabia mais da existência de controle remoto, ali era somente eu e ele. Em nossa bolha.
Ele roçou seus lábios vermelhos no meu e os grudou. Foi um beijo delicado. Movíamos nossos lábio em sincronia e eu entreabri eles, dando passagem para a sua língua que passou prontamente. Elas dançavam uma dança que poderia se dizer que era conhecida. Sua língua macia junto a minha, tinha um gosto de canela, hortelã, mel e chocolate. Era uma sensação perfeita.
Nos separamos muito a contragosto por ar que nossos pulmões clamavam. Ele encostou sua cabeça em meu colo, respirando ofegante não forçando seu peso contra meu corpo.
- Isso foi...
- ...Perfeito... - completei por ele sussurrando.
- Ainda... Vai me privar do controle remoto? - perguntou ele olhando em meus olhos com um brilho de desejo naquelas íris azuis.
- Eu acho que sei de algo bem melhor que o controle remoto! - E o puxei para um beijo. Ele correspondeu prontamente.. Esse beijo já não era tão calmo, nele havia desejo. Era mágico.
Naquela tarde, descobri um prazer maior que assistir pocoyo. E nunca realmente pensei, que disputar pelo controle remoto pudesse ser tão divertido.